segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Nas ondas de um gole só.

Mal havia pisado em terra firme, após quebras e balanceios de mares que desencontraram-se em mim, por onde eu vinha... Sabia que era um porto asseguro, de tantas jornadas e tripulações, no mínimo eu tinha um cacuete para saber, onde a âncora pesava mais, para depois partir novamente... Mas eu não era mais marujo, havia desbravado odisséias inteiras, mares bravos, monstros imaginários da solidão de navegante, numa imensidão ensurdecedora de tão silenciosa que se fazia... e então? Então eu era mais uma vez o Rei de uma terra de ninguém... Fui envolto, dia após dia, a cada vez que eu amassava um pedaço de grama com a sola dos sapatos, dois morrinhos sorridentes se apresentavam á frente, não tinha como não querer, não ceder, compassando meus pensamentos, com os cabelos formando marolas como que esbarrando em bancos de areia, areia doce e o que mais existisse naquela perfeição toda com um sorrisinho quase maltratante de fim de tarde que não volta...
Acordei de hoje há sete dias , em outra volta de idas quaisquer, sobre o timão meio molhado, ainda do sereno de uma manhã... bonita apenas, falando com o sol... virei a estibordo, amassei o cachimbo, dispensei a tripulação, e aproei a diminuir a distância entre duas metades, a que me falta, e a que eu não pude, naquela outra ancoragem, entregar a quem de encontro vou...

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