terça-feira, 13 de outubro de 2015

Nas idas.

Quando você "me veio", com seus medos e seus sonhos, era fácil ver que você tinha chorado... Embora eu não camele ruminando o passado, por mais presente que se faça, eu lampejo espelhos de cada ansiedade que eu sentia nos seus olhos, cada devoração intenta que você ameaçava enquanto eu falava, qualquer coisa, eu tenho certeza que você não ouvia nada, por mais que fosse música, por mais que eu percebesse, eu dava a mão pra você, e sentia seu coração... De tanto que tomei ar, perdí o tato e o vento que meus pulmões fizeram, me levou o que eu não sabia, assim, como em apnéia para amadores, que emergem num surto, em paúra, enxergando com dificuldade, mas sabendo a direção... Olha só, é bonito o que eu sinto, é você que eu quero que sinta o que eu faço com o meu tempo, é você que eu quero que faça, como uma jangada, um desassossego bom, como você fez, sem palavras, sem nada, só com a gana de mim que você deixou, no meu peito, lembrando de você... Olha só, eu não estou apaixonado não, eu gosto de mentir, pra você rir, e eu te dizer com sinceridade, que se você não sabe, eu te conto baixinho a verdade (risos).

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