domingo, 25 de outubro de 2015

Beira-céu á beira-mar.

Um peixe, um dia, mudou a história dos oceanos. Os peixes viviam imunes ao amor, no fundo do mar. Nas gélidas correntes, de água e nada mais, os peixes eram os seres mais absolutos, sensatos e inteligentes do universo, uma vez que, imunes ao amor, em sã consciência, ditavam o ritmo das badaladas do coração. Mas não era uma dádiva dos peixes, era provocação, do mar. Num lampejo, a paixão da Lua pelo Mar, foi ofuscada pelo brilho do Sol. O sol ganhou da Lua, o amor que só o Mar sentia. Cada vez que o Sol brilhava, radiante de amor, fagulhando quando o luar acordava, o Mar chorava, o amor que só o Mar sentiu. O Mar fechou o coração, para que os peixes, seus únicos, não sentissem o que era a dor. E um peixe um dia, ouvindo essa história, turbilhou corrente afora, para sentir  o amor, que fazia o Sol brilhar e que só o Mar sentiu. O peixe viu o sol, apaixonou-se pelo céu e o seu sonho era voar. O peixe foi á beira-mar, saber o que era se apaixonar, mas a maré estava baixa, e ele não soube voltar, ficou preso na areia, e viu uma cobra a rastejar. A cobra destilou, de uma mentira infame, que soou na alma do peixe, de que ele poderia voar, mas ele deveria dormir alí, na areia, e só voaria, na chegada do luar. O peixe adormeceu, e como em sonho, adormeceu, já sem vida e sem ar. No luar mais cintilante, a cobra que sorria, começou a engasgar, quando viu a alma do peixinho, ganhando os céus a voar. A paixão o matou, mas o amor... o amor o fez voar.

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